terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

da parte 6

Martha Guilherminda era uma mãe dedica, ela se casou com Mcalister aos 25 anos e tiveram seu primeiro filho depois de dois anos de casados, eram um casal que planejavam tudo, só davam dois passos à frente se já tivessem pensado em tudo.
                Deram o nome de Max ao menino, a princípio era um garoto alegre e feliz que trouxe grande alegria ao casal, estavam tão contentes com o filhinho que tiveram que chegaram a se arrependerem de não ter tido um filho antes. Foi quando ocorreu uma coisa não planejada com o pobre do Max aos seu oito anos para desespero dos pais, ele adoeceu gravemente, ficou acamado, tinha problemas respiratórios e várias dores pelo corpo que seus pais não sabiam de onde vinha. Levaram ele às pressas para o hospital o Cravo e a Rosa, um hospital especializados em crianças.
                Com o tempo descobriram que o garoto tinha herdado uma doença genética, muito rara que dava em crianças e para desespero deles não se sabiam muito dela e o único tratamento possível era ficar acamado para não mexer muito o corpo, pois as dores eram insuportáveis. Dá pra imaginar o quanto é desesperador vendo seu filho gritando de dor em cima da cama sem ter nada para fazer? Os médicos sedavam o máximo que podiam o menino com remédio, mas logo depois de duas horas Max estava gritando de dor em cima da cama novamente.
                Com o tempo o menino mal se comunicava, seus cabelos caíram, ficava deitado em cima da cama com os olhos fechado. Sua mãe tentava compensar isso, se o garoto não podia sair da cama e brincar como uma criança normal ela ao menos poderia fazer ele viajar em sua imaginação. Então ela vinha e lhe contava histórias todos os dias e Max explorava as “vinte mil léguas submarinas”, conhecia criaturas e novos mundos em “as viagens de Guiliver”, subia pelo pé de feijão de “João e Maria” até o céu, andava na “Corda Bamba” e visitava a “Casa da Madrinha” de Ligya Bojunga. Max foi um garoto que menos teve contato com outras crianças, mas foi o menino que mais viajou em sua imaginação, era um garoto de alma pura, praticamente um anjinho.
                Sua mãe evitava falar na morte, aquelas historias na qual a morte era um personagem importante, existem historias assim, na qual a morte é uma convidada de honra: o escritor escreve uma linda história e convida a morte para sentar na cadeira de honra, deixa ela matar um personagem ou outro e sai pela porta da frente. Max acreditava que sua mãe não contava nem uma história desse tipo por que a morte já era a convidada de honra na história de Max, ela quem seria a personagem principal e não ele. O garoto sonhador não tinha medo da temida amiga, pois pra ele morte era libertação, significava que ele não sentiria mais dor e talvez fosse morar em uma daquelas histórias que sua mãe contava para ele.
Quando ele abria os olhos por um ou dois segundos ele via sua mãe do seu lado enxugando os olhos e tentando forçar um sorriso para que o garoto se animasse, foi por conta disso e de todas as dores que já era uma amiga que Max queria que fosse em bora ele fez um pedido a sua mãe.
-M- Mã... – ele tentou falar mas saiu bem baixinho quase inaudível, Max ainda estava de olhos fechados ele queria concentrar toda suas forças em seus lábios ele queria falar aquilo, sua mãe quando o viu pensou que ele estava sonhando...
-M- Mãe... – ele conseguiu dizer bem baixinho, depois abriu os olhos para ver se ela estava ali. Estava sim.
-Querido não se esforce muito... – sussurrou sua mãe do lado do garoto
-Me... – ele disse fechando os olhos novamente a dor por todo o seu corpo tinha voltado, ele não aguentava mais, aquilo não era vida - ... mate... Me mate, mamãe...
-Não querido... – Martha entrou em desespero e começou a chorar, os médicos entraram e encontraram ela muito agitada e mandaram ela ir para casa, pois não tinha condição dela ficar ao lado do garoto naquele estado, vendo a situação de Max os médicos deram uma injeção nele para que voltasse a dormir.

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